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‘É o Cosmos!’

Era madrugada de 27 de janeiro de 1922. Graça Aranha estava em São Paulo, hospedado no Grande Hotel da Rôtisserie Sportsman, próximo ao Theatro Municipal, com a cabeça nos preparativos para a Semana de Arte Moderna. Quando conseguiu pegar no sono, o susto: acordou atordoado, via tudo se mexer, mas não sabia o que estava ocorrendo. Hospedado no mesmo lugar, Di Cavalcanti lembrou, em depoimento, que Aranha apareceu na recepção do hotel dizendo ‘é o Cosmos! O Cosmos!’. Nada: tratava-se de um tremor de terra pouco visto em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Danos físicos não ocorreram na cidade, mas o abalo sísmico atiçou o imaginário dos modernistas como Menotti del Picchia e Oswald de Andrade. Tanto que na primeira noite do evento no Municipal, Renata Crespi, casada com Fábio Prado, incomodada com a pintura de Anita Malfatti, perguntou para Menotti se o quadro não estaria torto. E ele respondeu que a pintura havia sido feita sobre os efeitos do terremoto que acometeu a cidade dias antes. ‘O senhor está brincando!’, replicou, incrédula. O fenômeno natural virou a metáfora perfeita para a Semana de 1922, que queria causar repercussão.

Fonte: Era uma Vez o Moderno (1910-1944) – Foto: Homem Amarelo, Anita Malfatti

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