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Ídolo modernista

Nada de artistas franceses ou de qualquer outra nacionalidade. Aquele que encantava os modernistas, arrancavam-lhes gargalhadas e contava com as suas presenças ilustres na plateia nasceu no interior de São Paulo e atendia por um nome: Piolin. Sim, o palhaço, que começou a fazer sucesso no Circo Irmãos Queirolo, no início dos anos 20 e, cinco anos depois, atraia até o presidente Washington Luiz para o seu circo, já no Largo do Paissandu. Ele era tão adorado pelos intelectuais paulistanos que em 1929, no dia do seu aniversário, 27 de março – em que hoje é comemorado o Dia do Circo -, os modernistas organizaram um almoço-homenagem, chamado de Festim Antropofágico. O evento foi no restaurante da Casa Mappin e contou com 32 pessoas, entre elas Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Raul Bopp, Anita Malfatti e Menotti Del Picchia. Em 1972, no cinquentenário da Semana, Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi organizaram uma exposição comemorativa no MASP e o Circo do Piolin foi armado no Belvedere do museu. O palhaço-ídolo se despediu da vida um pouco mais de um ano depois disso, em 1973, de insuficiência cardíaca. Mas ele jamais saiu dos corações modernistas.

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