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‘Quero ser índio’

Victor Brecheret, escultor de grandes obras modernistas, era um menino taciturno. Segundo o escritor Candido Mota Filho escreveu em suas memórias, os dois estudaram na mesma escola, localizada no Largo do Arouche. Brecheret era três anos mais velho que ele, mas ambos estavam atrasados nos estudos e ficaram na mesma classe. “Era um menino enfezado e de poucos gestos, com olhos distraídos mais nas coisas do que nas figuras humanas”, descreve no livro. Também, de acordo com os seus relatos, era disperso e ficava a aula toda desenhando bonecos. Ao ser questionado pela professora o que queria ser quando crescesse, respondeu que queria ser índio. Manifestação de ‘sua natureza selvagem’, justificou Mota. Por diversas vezes matou aula para ir ao Jardim da Luz ver os macacos enjaulados. Ainda assim, os dois ficaram amigos inseparáveis, trocavam desenhos, faziam lições juntos e comentavam as coleções de selos.

Fonte: Semana de 22 – Antes do Começo, Depois do Fim

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