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‘Em alguma medida todos nós somos herdeiros da tradição de Villa-Lobos’, diz o diretor artístico da Osesp, Arthur Nestrovski

Nas três noites em que houve concerto musical no Theatro Municipal, em fevereiro de 1922, o protagonista foi o compositor Heitor Villa-Lobos. O músico – o único a receber cachê para participar da Semana de Arte Moderna de 1922 -, que entrou com ‘chinelo em um pé e sapato no outro’, fez história não só no evento, mas na música brasileira. Tanto que é um dos homenageados em programação feita pela Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), intitulada Vasto Mundo, para comemorar o centenário do evento modernista. 

O diretor artístico da orquestra, Arthur Nestrovski, em entrevista exclusiva à Agenda Tarsila – concedida na Sala São Paulo (veja o vídeo) – diz, com toda certeza, que não haveria Tom Jobim se não tivesse existido Villa Lobos. “Em alguma medida todos nós, você e eu, somos herdeiros da tradição de Villa-Lobos.” Diversos compositores depois dele bebem de sua fonte musical para criar suas canções.

Na temporada que será realizada de março a dezembro, a Osesp terá o compositor como foco principal, principalmente sua paixão pelas florestas brasileiras. “É um programa todo inspirado na natureza brasileira a partir de Villa-Lobos que tinha na natureza do Brasil e na Floresta Amazônica uma grande fonte de inspiração. Isso nós estamos levando no Carnegie Hall em outubro do ano que vem, nos dias 14 e 15, em Nova York. Certamente para nós vai ser algo extraordinário, mas acho que é um marco para a música brasileira.” Confira, a seguir, a entrevista completa.

Ano que vem temos uma efeméride muito importante que é o centenário da Semana de Arte Moderna e a Osesp vai ter uma programação totalmente dedicada a ela. Queria que você me falasse como foi feita a montagem e o que vocês querem passar para o público.

De fato, ano que vem a Osesp, como tantas outras instituições culturais, vai celebrar o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. Possivelmente o mais influente acontecimento isolado da história cultural do Brasil. É curioso porque a Semana quando aconteceu – aliás não foi uma semana, foram só três noites – foi um evento relativamente pequeno, menor do que se imagina. Não teve grandes concertos, praticamente só obras de câmara da primeiríssima fase de Villa-Lobos. Não é o que se imagina, não são as bachianas, não é Choros 10. Eram pequenas peças-trios, peças para piano, algumas poesias e manifestos. Mas o efeito que teria a Semana seria absolutamente crucial para definição da própria identidade cultural brasileira ao longo do século 20 até hoje. Certamente foi um divisor de águas. Então nós, como outras instituições, não poderíamos deixar de marcar este centenário. A Osesp vai fazer uma coisa única, como a ocasião pede, ao longo da temporada inteira, desde março até dezembro de 2022 nós vamos apresentar entre obras sinfônicas de câmara e corais, nada menos do que 122 composições de autores modernistas. 100 mais 22. Então são 122 obras que vão ser tocadas pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, pelo Quarteto Osesp, pelo coro da Osesp e por solistas que vêm fazer recitais durante a temporada. A Osesp vai fazer muitas outras coisas ao longo do ano, não vamos só tocar os modernistas, mas vai ser um foco muito especial de compositores brasileiros e bem à maneira dos modernistas brasileiros de forma, inclusive, cosmopolita e abrangente, e compositores de muitos países, das mais variadas tendências. Num arco de tempo, que é essencialmente um meio século, um pouquinho expandido. Nós vamos de 1894 a 1954. Um pouquinho mais do que a primeira metade do século 20. Por que? 1894 é a data de estreia do Prelúdio para a Tarde de um Fauno, de (Claude) Debussy, que é tido como o marco inaugural da modernidade na música de concerto. Em 1954 é o quarto centenário da cidade de São Paulo, mas a propósito é a data da fundação da própria Osesp. Então veio a calhar. Vamos ter obras de 1894 até 1954, que é o Quarteto nº15 de Villa-Lobos e a Cantata Criolla do compositor venezuelano Antonio Estévez. Neste arco de meio século expandido vamos ter essas 122 obras para celebrar a Semana de Arte Moderna de 1922. 

E você falou do marco da Semana de 1922 que foi um divisor de águas em todos os sentidos na arte brasileira. Na música efetivamente o que mudou a partir de então, inclusive por conta da participação de Villa-Lobos, o grande nome da música da época?

É claro que não é como se naquela semana tivesse começado alguma coisa que não existia antes. A Semana tem um papel muito importante porque ela causou comoção, serve de marco histórico. Esses processos vão acontecendo, não é naquele dia que algo começa. Mas, sim, a influência do modernismo representou uma vontade expressa da parte dos compositores brasileiros de se voltar para a própria realidade brasileira, quer dizer, um aprofundamento na cultura brasileira, um desejo de inovação, de excelência, de conquista técnica da composição, ao mesmo tempo em que essa composição está agora focada, voltada para elementos próprios da cultura brasileira. E, ao mesmo tempo, um diálogo com a cultura internacional. O modernismo sempre foi agregador, cosmopolita. O famoso Manifesto Antropofágico, no final das contas, não é outra coisa senão a expressa vontade de dialogar em termos próprios com a cultura do resto do mundo. Esses elementos: cosmopolitismo, inovação, excelência técnica, uma preocupação e o aprofundamento na realidade nacional. Tudo isso teria enorme importância para a música brasileira. Villa-Lobos, claro, é o nome central. Na Semana, como eu disse, tocava sua obra. Algumas peças para piano, duas pecinhas de Debussy. No primeiro programa tinha uma peça de (Erik) Satie e uma peça de Polak. Acho que é só isso. Tem um outro compositor hoje esquecido. O resto tudo foi só Villa-Lobos. Foram três noites (de apresentação) com concertos essencialmente, isso é importante dizer. A principal atividade no Theatro Municipal de São Paulo em fevereiro de 1922 foram concertos. Guiomar Novaes tocou, a grande pianista, outros pianistas, trios, quartetos, obras de câmara. Villa-Lobos viria a ser a figura central. Até hoje ele é o veio central de que se nutre tanta coisa diferente da música de concerto e da música popular brasileira.

Do que se ouve hoje, o que tem a mão do Villa-Lobos?

O programa desta semana da Osesp (novembro) se chama Floresta Villa-Lobos em dois sentidos. Primeiro tem a ver com a influência da natureza do Brasil, em especial a Floresta Amazônica sobre a obra do próprio Villa-Lobos. Ele tomou aquilo como uma espécie de mito fundador. Mas também o próprio Villa é uma espécie de uma floresta de música, com muitos caminhos que se bifurcam, ou um grande rio de música com muitos afluentes. Tom Jobim não seria Tom Jobim sem Villa-Lobos. Mas você tem compositores muito diferentes como Almeida Prado, ou como Marco Antônio Guimarães do Grupo Uakti, para não falar nos seus seguidores mais imediatos: Francisco Mignone, Camargo Guarnieri. Ou uma compositora brasileira radicada nos Estados Unidos, Clarice Assad, de quem nós vamos ouvir uma peça abrindo o programa da Floresta Villa-Lobos. Tudo isso de alguma forma, mais ou menos direta, bebe na música de Villa-Lobos. E a figura dele como também um catalisador da música de concerto no Brasil no século 20 teve enorme impacto. Camargo Guarnieri e Francisco Mignone, como eu disse, são dois outros grandes compositores, mas nenhum atingiu a dimensão de influência pessoal, cultural e musical que teria Villa-Lobos. Em alguma medida todos nós, você e eu, somos herdeiros da tradição de Villa-Lobos. 

E muitos não sabem, mas o Mário de Andrade também teve uma vertente musical, era professor de piano. Qual foi a contribuição dele, de fato, para este gênero artístico?

Enorme. Mário de Andrade, embora não tenha tido influência como artista musical, ele tocava piano, mas em casa, não foi pianista, não foi compositor. Mas foi o primeiro importante crítico de música no Brasil. Não tenho a menor sombra de dúvidas. Mário de Andrade escreveu a história da música e escreveu em jornais durante muito tempo. E era um crítico muito sofisticado, conhecedor e escrevendo com aquela verve de Mário de Andrade. Quem dera a gente tivesse hoje alguém escrevendo com essa competência e essa maturidade de estilo. Mário foi também o primeiro, talvez até hoje, o mais importante gestor cultural. Ele foi diretor do primeiro Departamento de Cultura da cidade de São Paulo. Na verdade, associado ao Theatro Municipal, onde ele criou o coral paulistano, o Quarteto de Cordas da cidade, que existe até hoje – tinha outro nome, mas era isso. Fez uma missão de pesquisa musical pelos rincões do Brasil, passou meses viajando. Recolheu material do que hoje nós chamamos de música de raíz. Ele tem um livro chamado Ensaios sobre Música Brasileira (1928), onde ele faz, inclusive, uma espécie de catálogo de temas dos mais variados gêneros de músicas de raíz que ele foi pesquisar. Existe na discoteca Oneyda Alvarenga, que está hoje no Centro Cultural São Paulo, os registros das gravações que o próprio Mário fez em campo. Então ele foi nosso primeiro importante crítico, o nosso primeiro importante musicólogo. Ele fez o que hoje a gente chamaria de etnomusicologia, dentro do próprio Brasil. Foi o mais importante gestor e foi também uma espécie de mentor de compositores. Camargo Guarnieri em especial tinha uma relação próxima com ele. Foi muito importante para outros escritores, Carlos Drummond de Andrade acima de todos, mas também para os compositores. É uma figura de primeira grandeza na história da música no Brasil. 

Nesta programação do ano que vem vão ter artistas convidados. Queria que você me falasse quem são e o que esperar dessas apresentações. 

A temporada a gente está imaginando que estamos voltando a uma situação pelo menos próxima do que a gente chamava de normal antes da pandemia. Neste sentido não se distingue muito das que a gente tinha. São 31 semanas de concerto de assinatura, quer dizer, a gente tem concerto quinta, sexta e sábado. As pessoas podem adquirir uma assinatura de oito concertos cada uma para o ano inteiro, de março a dezembro. E é uma temporada que tem quase 60 artistas convidados como normalmente a gente tem. Posso dizer de boca cheia: a gente tem uma temporada, já não é de hoje, com regentes e solistas convidados, brasileiros e de fora do Brasil, que é comparável à lista de regentes e solistas convidados das maiores orquestras sinfônicas do mundo. Os solistas que você vai ver aqui na Sala São Paulo no ano que vem são os mesmos que você vai ver na Filarmônica de Berlim ou no Royal Albert Hall de Londres ou na Filarmônica de Paris. Imaginando que os concertos voltem à normalidade, com a duração que a gente costumava ter, que todo mundo pode viajar, que não vai ter a quinta, sexta, sétima onda, ou um vírus novo, a gente pode contar com uma temporada de altíssimo nível. O nosso regente titular Thierry Fisher vai estar aqui por dez semanas, vai reger a Osesp em obras importantes, vai fazer abertura e encerramento da temporada. A cada temporada ele tem uma série chamada ‘escolha do maestro’. Ele escolhe, por motivos pessoais e também visando o crescimento da própria orquestra, escolheu (Jean) Sibelius, um compositor finlandês da primeira metade do século 20, um modernista muito importante, e ele vai reger três sinfonias de Sibelius no ano que vem, mais um concerto para violino e uma abertura. Isso vai ser extraordinário. Ao longo de duas temporadas nós vamos fazer a integral das sete sinfonias de Sibelius, com o Thierry Fisher regendo. Vai fazer também uma série de concertos Strauss Essencial, com a obra de Richard Strauss, outro modernista importantíssimo, compositor alemão nascido na Baviera, e que é, por consenso, um dos compositores mais importantes do século 20 e fundamental para o desenvolvimento artístico e técnico de qualquer grande orquestra. É um compositor de enorme sofisticação e um virtuosismo orquestral. Fazer obras de Strauss com Thierry Fisher à frente certamente vai ser importante para todos nós que vamos ouvir, mas importante para os próprios músicos e para a orquestra que vão ter uma oportunidade especial. 

E haverá também, ano que vem, um concerto nos Estados Unidos…

Isso é outra coisa, para nós, histórica. O concerto que estamos fazendo, o Floresta Villa-Lobos, é um dos dois programas que nós vamos levar para os Estados Unidos no ano que vem e vamos tocar pela primeira vez. É algo histórico para a música brasileira, é a primeira vez que uma orquestra sinfônica brasileira se apresenta na temporada principal do Carnegie Hall,  a mais importante sala de concertos dos Estados Unidos e certamente uma das mais importantes do mundo. A Osesp em anos recentes tocou na Philarmonie de Berlim, a casa da Filarmônica de Berlim, tocou no Musikverein de Viena, no Festival BBC Promise de Londres, tocou na China, logo antes da pandemia, em Xangai, Beijing e em outras cidades, enfim, já fizemos concertos em muitas salas muito importantes, mas o Carnegie Hall estava faltando e nós vamos ter uma oportunidade extraordinária porque vamos fazer dois programas. Um é um programa que tem Sheherazade, a peça que foi tocada semana passada, com a nossa regente de honra Marin Alsop à frente da orquestra, e a segunda parte é Villa-Lobos. Tem o Prelúdio das Bachianas 4, tem um concerto Harmônica, com o solista José Staneck, e tem os Choros 10. No dia seguinte a gente faz este programa Floresta Villa-Lobos, que tem um formato todo especial, e a gente está testando essa semana, nunca fizemos nada igual. São 70 minutos de música contínuos, ou seja, são muitas peças em que o Villa-Lobos é o veio central, mas tem uma série de outros autores, até mencionei aqui, Almeida Prado, Clarice Assad, tem Tom Jobim. Todas essas peças ficam em torno do Villa, mas todas são tocadas uma grudada na outra. E são para orquestra, piano, coro, com sopros, para percussão. Tem muita variação sonora e é uma espécie de uma grande Amazonas de música, que vai do início ao fim e, no ano que vem, com projeções visuais também. É um programa todo inspirado na natureza brasileira a partir de Villa-Lobos que tinha na natureza do Brasil e na Floresta Amazônica uma grande fonte de inspiração. Isso nós estamos levando no Carnegie Hall em outubro do ano que vem, nos dias 14 e 15, em Nova York. Certamente para nós vai ser algo extraordinário, mas acho que é um marco para a música brasileira. O Carnegie, talvez muitos saibam, em 1962 foi palco da primeira grande excursão internacional dos artistas da bossa nova, recém-criada, era a música de ponta no Brasil. Tom Jobim, João Gilberto, Roberto Menescal, estavam todos no palco em 1962. Teve enorme influência depois. Frank Sinatra veio a gravar um disco com Tom Jobim por conta dessa aparição lá. Então já é um teatro que tem uma ligação histórica com a música brasileira. Não dá para a gente dizer que vai fazer algo parecido com o que foi a influência da Bossa Nova, mas 60 anos depois a gente está voltando ao palco do Carnegie Hall para fazer essa Floresta Villa-Lobos, levando música brasileira, 90% da qual nunca terá sido ouvida lá, muitas vão estar sendo tocadas pela primeira vez e tentando dar em 70 minutos uma espécie de panorama compacto, mas representativo e muito expressivo da música produzida no Brasil e, ao mesmo tempo, fazendo a nossa apaixonada defesa das matas brasileiras, da Floresta Amazônica, da preservação da nossa natureza, num momento de tamanha conturbação ecológica e de tantas batalhas culturais, sociais e políticas em torno desse tema. Acho que é algo marcante e nós estamos fazendo isso com muito empenho. 

Você falou como a pandemia interferiu nas apresentações, mas também levou para um formato que leva a música para quem não tinha acesso, que é o formato híbrido. Algumas das apresentações da Osesp são feitas em tempo real pela internet. Você acha que isso ajuda a democratizar a música erudita brasileira?

Certamente. Na verdade a Osesp foi a primeira orquestra a fazer uma transmissão digital de concerto, aqui no Brasil, em 2011. Já faz 10 anos que a gente faz isso e todos os anos a gente fazia três, quatro transmissões. A diferença é que com a pandemia, claro, teve um período que a gente só estava fazendo atividade digital. Depois voltamos a tocar na Sala sem plateia, com transmissão pela internet. Mesmo com a volta da plateia, a partir de agora isso virou uma rotina esperada e desejada. Então toda sexta-feira, às 20h, o concerto da Osesp que está sendo apresentado na Sala São Paulo também é transmitido ao vivo em streaming no canal do YouTube da Osesp. A Sala agora, graças a um aporte especial da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, faço aqui o devido agradecimento, permitiu que a gente equipasse a Sala São Paulo em caráter permanente. Foram compradas nove câmeras robóticas que vão ficar em uso sempre. Foi construído um estúdio e a gente já está fazendo as transmissões diretamente do nosso próprio estúdio com as nossas câmeras. Por serem robóticas não têm um cameraman, elas se mexem sozinhas controladas pelo equipamento do estúdio. Estamos amadurecendo este processo, já estamos fazendo estas transmissões em um nível bastante elevado, mas queremos melhorar, e a partir de agora vocês podem contar com sexta-feira à noite, 20h, concertos da Osesp e outros também, concerto do Quarteto Osesp, Concertos do Coro da Osesp. Tudo que a gente puder fazer faremos também em streaming diretamente da Sala. 

E você que acompanha há tanto tempo a música brasileira, o que esperar dos próximos 100 anos?

Aí é exercício de pura adivinhação. Não dá para dizer o que vai ser da música pelos próximos 100 anos. O que não tenho dúvida é que com a riqueza musical que a gente tem, com a extraordinária riqueza de criadores e intérpretes, nas vertentes mais variadas, tanto da música clássica quanto da música popular. Da música popular urbana como da música popular de raiz. Isso não é algo que ninguém controle, mas não é algo que faça a gente ter qualquer receio sobre o que pode ser o futuro da música brasileira. Só pode ser glorioso, porque é uma das nossas maiores riquezas. A cultura do Brasil é uma das coisas que nos orgulha, não tem tantas assim hoje em dia… Futebol já foi (risos). Agora estamos mais no atletismo. Mas a música e a cultura do Brasil é certamente uma das áreas mais importantes para todos nós. Para todos nós, ser brasileiro, ser quem nós somos, tem tanto a ver com a experiência de todos nós com a nossa própria cultura. Nenhum de nós seria quem é sem Tom Jobim, sem Villa-Lobos, sem Chico Buarque, sem Caetano Veloso, sem Gilberto Gil, sem Guimarães Rosa, sem Clarice Lispector, sem Carlos Drummond de Andrade, etc, etc, etc… Isso nos faz quem nós somos como brasileiros. Outras coisas acontecem num outro plano, mas a cultura de um país é aquilo que nos define e que nos justifica. Não é que ela só nos expressa. Ela nos explica e nos justifica. Desprezar e maltratar a cultura é um ato inexplicável de autopunição, de auto cancelamento ou de pura cegueira. A cultura é um bem precioso e a música do Brasil desde sempre foi uma das expressões mais importantes e vai continuar sendo. 

(Miriam Gimenes/Agenda Tarsila)

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