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Empresária investe em produtos de papelaria ilustrados por obras modernistas

Quem não quer ter uma obra de Tarsila do Amaral para chamar de sua? Duvido que exista quem responda essa questão de forma negativa. E acredite: não é preciso desembolsar muito dinheiro para tanto. Pelo menos é o que defende a Teca Papelaria (www.teca.com.br), empresa que está há 40 anos no mercado e desde 2015 tem cadernos, calendários, agenda, entre outros itens, com obras emblemáticas da pintora modernista estampadas. 

Ela foi criada pela empreendedora Tereza Cristina Leopoldo e Silva, conhecida por Teca – daí o nome da empresa -, que uniu o útil ao agradável: formada em artes plásticas, difunde a paixão à sua maneira. Desde que incorporou imagens de Tarsila ao catálogo da papelaria, foi ‘apresentada’ a outros modernistas – Oswaldo Goeldi, Di Cavalcanti – e tem planos de aumentar a lista. “Com produtos dela participamos da exposição no Museu de Chicago, depois para o MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York)”. Confira, a seguir, a entrevista completa:

Queria que me contasse um pouco da sua história e qual sua relação com a arte?

A empresa vai fazer 40 anos este ano e desde o começo a gente pensa na arte como uma forma de levar algo legal para as pessoas, de ter um produto bonito de papelaria, como se fosse um presente a ser usado no dia a dia. A minha formação é em artes plásticas, mas não sou artista. Trabalho com a arte desta forma.

Você fundou essa empresa de papelaria que usa a imagem de artistas consagrados para ilustrar esse trabalho. Como funciona a licença e por que escolheu a Tarsila para estampar esses produtos?

Essa ideia de ter arte no dia a dia permeia o trabalho todo da empresa. A gente começou em 1982 fazendo uma agenda totalmente diferente, colorida, cada mês tinha uma cor. E trazia um material para uso diário diferenciado. Não se usava cor em São Paulo, que era uma cidade muito cinza, nada tinha tinha cor. Ao longo do tempo a gente foi fazendo parceria com artistas porque a ideia era realmente ter algo belo. Em 2014 fui procurada pela sobrinha-neta de Tarsila do Amaral, a Tarsilinha, para desenvolver uma linha com as obras da tia. Era tudo que eu queria na vida, trabalhar com artistas consagrados. A primeira licença foi ela, que me apresentou para a família do (Oswaldo) Goeldi, depois a do Di Cavalcanti e em cada ano uma licença foi incorporada. Temos agenda, calendário, cartão, blocos, cadernos, imã de geladeira, marcador de página, tudo com obras deles. Por último, fizemos uma parceria com a Pinacoteca de São Paulo, para fazer com as obras do Almeida Júnior. Temos, então, quatro artistas no portfólio da empresa. A Tarsila é a primeira e foi quem apresentou os outros. Com produtos dela participamos da exposição no Museu de Chicago, depois para o MoMa (Museu de Arte Moderna de Nova York). 

Qual o retorno que você tem dessa obra impressa neste material, usado, muitas vezes, para a pessoa ‘guardar’ a vida dela?

As pessoas ficam encantadas por poder ter uma ‘Tarsila’. Se identificam muito com o produto e temos uma recorrência muito grande. Quem comprou uma vez volta e a cada ano lançamos produtos com obras diferentes. Procuro sempre fazer a obra inteira, porque tem muita gente que não conhece ela toda. Quando está muito difundida a imagem uso detalhes. A primeira vez que fizemos isso foi ano passado, quando peguei um detalhe do Manacá (Tarsila) e foi um sucesso, as pessoas adoraram. E elas cobram, mandam e-mail, telefonam.

Como funciona a escolha das obras para estampar os produtos?

Tento ficar mais distante do meu gosto pessoal e a gente faz uma seleção interna, com votação, além de olharmos pela linha do tempo para ver o que já foi usado. O Manacá, por exemplo, fizemos uma agenda no ano da exposição da Tarsila no Shopping Higienópolis, por isso optamos por fazer o detalhe agora. É uma coisa bem democrática, não é o que eu gosto, mas o que todo mundo gosta. Abaporu tem de ter todos os anos, não como capa. No calendário sempre tem, porque as pessoas querem. É uma obra  muito importante para estar de fora. 

E esses produtos viajaram com exposições, mas também estão espalhados por pontos culturais importantes de São Paulo. Vocês têm uma loja virtual e física em Pinheiros também?

Sim, temos, além da loja on-line. Mas a gente vende também para as grandes redes do Brasil, livrarias Travessa, da Vila, Papel Magia, nas lojas de museu como o MAM SP, na loja do Farol Santander, na Pinacoteca. São lugares que as pessoas procuram realmente um trabalho desse tipo. 

A Tarsila foi a primeira que usou para ilustrar e ela é uma mulher pioneira em vários sentidos. O que te admira nela e na obra que deixou no movimento que completa 100 anos?

Admiro a ousadia, a diferença de linguagem na pintura dela, como foi a mudança toda de temas e a cor brasileira, a gente tem uma alegria. Você vê claramente na obra a cor que as pessoas se identificam. Por isso acho que é tão forte, o apelo é tão grande para o público. É uma obra bonita, alegre e nós a escolhemos por isso. 

Os artistas do movimento modernista trouxeram brasilidade para a arte. Como você vê essa mensagem chegando neste momento que a gente vive, em vários sentidos, principalmente enquanto nação?

Esse é o papel da arte, de resgatar nossa identidade de algum jeito. A gente olha para isso e lembra que não somos só isso que estamos vivendo hoje. Essa arte me traz isso, que a gente tem história, temos conquistas, as mulheres também e achar que vamos passar disso para algo melhor. É muito importante para nos alegrar na tristeza que estamos vivendo.

E vocês fizeram algo comemorativo em razão do centenário da Semana de Arte Moderna?

A gente fez uma coleção de cadernos que colocamos como comemoração. São seis capas, quatro da Tarsila, duas do Di, que fizemos como coleção mesmo. Porque antes confeccionamos vários cadernos, com capas diferentes, e neste colocamos na contra-capa os itens da coleção, para a pessoa ter vontade de ter essa linha toda. Agora vamos lançar uma linha de caixas de cartões, para escrever, com envelope, tem quatro estampas, oito cartões, dois de cada, para as pessoas presentearem. Vai ser lançado agora em maio.

Tem a intenção de trazer algum outro modernista para coleção?

Vontade a gente tem. Fomos apresentados de um para outro, foi uma coisa meio de boca a boca, tentamos alguns, fiz algumas tentativas, mas ainda não posso te contar (risos). 

Qual é o sonho de consumo da Teca?

Neste momento nosso sonho de consumo é o (Alfredo) Volpi, mas não conseguimos ainda. E também fiz um contato com Athos Bulcão, para ver se a gente consegue a licença. Não precisa ser para este ano, mas para continuar na linha. Linguagens diferentes, com obras muito bonitas. 

E que podem servir como registro histórico também?

Sim! É muito legal porque no primeiro ano que fiz os itens com as obras da Tarsila fiquei um pouco receosa se era uma coisa muito do meu mundo, de quem tinha feito artes plásticas, de quem gosta de arte. Mas a gente participa de uma feira de papelaria todos os anos onde  fiz um estande com as obras grandes e pessoas do Brasil inteiro elogiaram, queriam caderno com capa da Tarsila. E vinham de lugares mais distantes. Eu estava achando que ia ser muito elitizada e não, todo mundo conhecia, foi muito legal. E as pessoas voltam em função disso, porque sabem que temos produtos com essas obras.

(Miriam Gimenes/Agenda Tarsila)

Publicada em 20 de abril de 2022

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