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Espetáculo ‘Modernistas’, encenado no Teatro Viradalata, poderá ser visto em breve na internet

O teatro não foi uma vertente artística explorada durante a Semana de Arte Moderna, embora o palco principal tenha sido o Municipal de São Paulo. Nem por isso parte dessa história deixa de ser contada de forma interpretativa. Tanto que o Teatro Viradalata exibiu há pouco o espetáculo Modernistas, escrito e dirigido por Alexandra Golik, que está em fase de edição para ser transmitido pela internet a partir do dia 14 – no YouTube da companhia – e também deve rodar por outros palcos. 

Em entrevista à Agenda Tarsila, a diretora Alexandra disse que revisita essa história como uma forma de preencher lacunas, inclusive da participação das mulheres e negros no evento centenário. “São duas coisas que se perderam no caminho e a gente reencontrou nesta peça”, explica. O elenco é composto por Bebel Ribeiro, Diego Rodda, Joice Jane Teixeira, Marco Barretho e Rennata Airoldi.

Com projeções que compõem o cenário e ajudam a contar fatos históricos, os atores se revezam para recontar a trajetória de nomes importantes da Semana, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Oswald e Mário de Andrade. Este último, inclusive, é interpretado por uma mulher. Confira, a seguir, a entrevista completa:

Você dirige o espetáculo Modernistas, que traz uma vertente que não foi contemplada na Semana de Arte Moderna, que é o teatro, mas reconta essa história do ponto de vista interpretativo. Me fale sobre a peça. 

Essa peça é muito bacana, porque além dela falar sobre os modernistas também trata de duas coisas especiais, que é a situação da mulher hoje e do negro também. São duas coisas que se perderam no caminho e a gente reencontrou nesta peça. Além dos modernistas, tudo que fizeram, tento contar a história de uma maneira bem prática, sucinta, mas que dá para entender quem foram, o que fizeram e os ventos onde estavam neste período todo. É muito importante porque naquela época a gente já não estaria como hoje. Os negros foram muito importantes e a gente tenta mostrar isso e o quanto são importantes para a nossa vida, assim como as mulheres. Inclusive faço citações de mulheres e negros que muitos não ouviram falar. São todos esses que abrangem.

E você acha que essa é uma oportunidade de recontar aquela história da Semana de Arte Moderna, que teve tantas lacunas, como você mesma falou? Teve mulheres, mas poucas, também negros, caso do Mário, que ‘se escondia’…

Acho que sim. Eles nem se escondiam, porque não sabiam como se expor, não havia essa possibilidade. Não sei se dá para dizer que Mário encobria o fato dele ser negro. Ele não se dava conta, nem percebia. É uma pena, porque ele é tão visceral, quente nas histórias dele, que essa história passou batida. 

No elenco também há inovações. Mário de Andrade é feito por uma atriz. Como se deu a escolha?

Escolhi porque acho que seria isso, a ambiguidade dele ser ou não ser negro, ser ou não ser gay, porque também rolava isso. E a Joice (Jaine) é uma pessoa que gosto muito. E os demais são atores da minha companhia, que já trabalho há algum tempo. 

Como o teatro ganhou vida ao longo destes 100 anos e como chega hoje na cultura brasileira?

Ganhou muita vida, embora os chatos hoje em dia, pela cultura e o não apoio que estão aí, o teatro continue batalhando. Nós continuamos a ferro e fogo, foram poucos que salvaram com a pandemia e estamos aí quente, querendo servir ao próximo. Inclusive tem uma exposição aqui dos negros e toda essa história da peça que tem um mural grande no teatro e um telão grande também, antes de entrar na peça. A pessoa pode ver isso para já entrar no mundo de como tudo mudou. 

Vocês estrearam em março, como tem sido a receptividade do público?

A repercussão está sendo incrível. Os mais jovens gostam muito, aprendem coisas incríveis, os mais velhos também coisas que nunca pensaram. Uma repercussão bem interessante para a gente. 

Qual a importância de trazer ao palco essa história centenária?

Foi muito bacana, sobretudo contando essa questão dos negros e das mulheres também, revendo tudo isso e mostrando onde elas estavam, como eram importantes. Por que não esses também não contaram a história? Por que só a burguesia? Foi reconstrutor para mim fazer isso. 

Depois dessa temporada no teatro ela entra para o Youtube? Como vai funcionar?

A gente vai ter no YouTube, também apresentações em outros locais, a peça deve ficar muito tempo em cartaz, mas ainda estamos alinhando isso.

(Miriam Gimenes/Agenda Tarsila)

Publicada em 11 de maio de 2022

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