Cemal Endem/Divulgação

Exposição no Museu da Casa Brasileira lembra legado do arquiteto Le Corbusier na arquitetura moderna

Um dos grandes nomes da arquitetura moderna mundial, o franco-suíço Le Corbusier acaba de ganhar uma exposição no Museu da Casa Brasileira, a Le Corbusier – A arquitetura Moderna Declarada Patrimônio da Humanidade, em cartaz até o final de setembro. A mostra traz projetos do renomado profissional que foram declarados patrimônios mundiais e é realizada pela Embaixada da Suíça no Brasil e o Consulado Geral da Suíça em São Paulo, em colaboração com a Fundação Le Corbusier e a Unesco.

Entre os projetos criados por ele, expostos em 17 painéis, estão a Casa orla Lago Léman, em Corseaux/Suíça; a Casa Guiette, em Antuérpia/Bélgica; o Conjunto Residencial Frugès, em Pessac/França; o Complexo Governamental, em Chandigar/Índia e o Museu Nacional de Arte Ocidental, em Tóquio/Japão. 

O profissional, que também fazia esculturas e pintava, foi consultor na construção do Palácio Capanema, inaugurado na década de 1930 para ser o Ministério da Educação e hoje sede do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no Rio de Janeiro, projetado por uma equipe comandada por Lúcio Costa, que tinha como um dos arquitetos Oscar Niemeyer. 

Em entrevista para Agenda Tarsila, a Adida Cultural do Consulado Geral da Suíça em São Paulo, Célia Gambini, afirma a importância do arquiteto no cenário mundial e diz que a mostra tem por objetivo atingir todos os públicos. “As pessoas convivem no dia a dia, mas nem sempre têm essa possibilidade de ter mais referências de como ela se iniciou, quais são as características, quais são as influências no Brasil. Pensamos que essa exposição também poderia introduzir esse tema de um ponto de vista um pouco mais elaborado para pessoas que não tenham esse acesso.” Confira, a seguir, a entrevista: 

Vocês acabam de abrir uma exposição no Museu Casa Brasileira que trata sobre a arquitetura moderna. O que o público encontra lá?

Essa exposição é do arquiteto franco-suíço Le Corbusier, que tem um recorte dessas obras inscritas no Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco em 2016. Obviamente, ao tratar delas, estamos falando de arquitetura moderna e da obra dele. É uma mostra que já foi apresentada na França, na Colômbia, e chegou ao Brasil. Aqui nós temos uma versão brasileira com um recorte para as relações dele com a arquitetura moderna brasileira. 

A escolha do lugar da exposição também não foi aleatória. Por que no Museu Casa Brasileira?

A gente tinha várias possibilidades para inaugurar essa exposição, que é itinerante. Depois de São Paulo, ela vai seguir um percurso pelo Brasil, está sendo desenhado. Mas o Museu da Casa Brasileira é um local de referência para arquitetura, design, cidades, urbanismo, então tivemos essa oportunidade de que ele acolhesse a exposição. E ela dialoga muito bem com este local e com a própria curadoria do espaço. 

Quem foi Le Corbusier e por que ele é considerado pai da arquitetura moderna?

Ele foi um arquiteto que inaugurou a arquitetura moderna porque trouxe um novo conceito, que tem uma relação direta com o momento histórico que viveu. Com as obras dele dá para perceber o uso de materiais novos, uma industrialização, então é um momento em que está revendo a arquitetura e a implantação dela nas cidades e sobretudo o modo de viver. A ideia de como as pessoas passam a viver em uma casa. Le Corbusier cria cinco conceitos da arquitetura moderna como pilotis (conjunto de colunas que sustentam uma obra e, ao mesmo tempo, deixam o pavimento térreo livre), a fachada com as janelas na horizontal, com grande recorte, o telhado deixa de existir e você tem a cobertura jardim. São alguns conceitos que ele introduz e que revolucionam. Brasília é uma cidade de arquitetura moderna por excelência e ali é possível ver todos os princípios aplicados.

Então ele influenciou Niemeyer e os principais arquitetos modernistas no Brasil?

Sim, com certeza eles foram influenciados por eles. A partir de um momento há quem diga que eles têm um diálogo e que a arquitetura moderna também acabou influenciando Le Corbusier, porque quando ela chega aqui floresce, encontra um terreno propício para se desenvolver e tem um pensamento novo. Não é que os arquitetos brasileiros sigam aquela cartilha. Eles renovam, inovam também e acabam tendo uma colaboração muito próxima e um diálogo de trocas com Le Corbusier. 

E ele esteve alguma vez no Brasil?

Esteve sim, se não me engano em 1929 e 1936 e também foi consultor no prédio do Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, que é um ícone da arquitetura moderna. Colaborou com o projeto do Niemeyer e Lúcio Costa. Ele voltou anos mais tarde, visitou de novo o prédio e se não me engano vai para Brasília também visitar as obras.

Quais são as principais obras dele e por onde estão espalhadas?

Em vários continentes ele está presente. Tem o Museu Nacional de Tokyo, que é uma das obras que foi tombada, tem na França, na Bélgica, na Suíça. Na Argentina tem uma casa que ele construiu. No Brasil não tem nenhuma obra que seja só dele, o que a gente vê é essa influência, presença marcante através da arquitetura moderna que foi uma prática muito comum no Brasil pelos nossos profissionais. 

Você falou sobre itinerar essa exposição, que são cartazes das obras dele. Até quando ela fica no Museu Casa Brasileira e por onde ela deve passar?

No museu ela fica até 25 de setembro e às sextas não há cobrança de ingressos. Depois deve seguir por todo território brasileiro. A gente deve definir essa itinerância porque este ano, em função de um calendário do bicentenário (da independência), eleição, estamos em negociação. Mas é provável que vá primeiro para o nordeste e siga depois para Brasília. Vamos anunciar brevemente, mas vai até o final de 2023. Ela foi pensada para ser itinerante, por isso são painéis em tecido, que facilitam a mobilidade, e pode ser montada em qualquer espaço. Pensamos em uma exposição que não seja unicamente para um público de arquitetos, mas que possa acolher público diverso. 

Para você qual a importância de um público diverso conhecer a obra dele?

O público leigo nem sempre tem um conhecimento técnico de arquitetura, porque ela demanda uma iniciação. Para os arquitetos, Le Corbusier é muito conhecido, por ser uma referência muito estudada, mas  não pelo público comum, por mais que o brasileiro tenha em seu imaginário arquitetura moderna presente, porque aqui no Brasil, além de ter florescido, ela se tornou capital. As pessoas convivem no dia a dia, mas nem sempre têm essa possibilidade de ter mais referências de como ela se iniciou, quais são as características, quais são as influências no Brasil. Pensamos que essa exposição também poderia introduzir esse tema de um ponto de vista um pouco mais elaborado para pessoas que não tenham esse acesso. Também tivemos a preocupação de criar um Manual de Mediação Cultural para acompanhar a exposição para onde ela for, para que as pessoas que acolham a mostra abram este diálogo com o público. 

(Miriam Gimenes/Agenda Tarsila)

Publicada em 3 de agosto de 2022

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