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‘Os modernistas são pais da minha literatura’, diz a poetisa, atriz e cantora Elisa Lucinda

Criada há pouco pelo presidente da Fundação Cesgranrio, Carlos Alberto Serpa, a Academia Brasileira de Cultura foi instalada em cerimônia solene no Rio de Janeiro. São, ao todo, 50 imortais. E entre os nomes que representam o que há nos segmentos da arte brasileira – televisão, música, teatro e cinema -, a dona da cadeira 41 é a poetisa, atriz e escritora Elisa Lucinda, que merecidamente recebeu seu fardão, uma medalha e tem como patrono o também poeta Olavo Bilac.

Nascida no Espírito Santo, Elisa é formada em jornalismo e tem vasta carreira literária – o primeiro livro O Semelhante foi publicado em 1994. É conhecida por ter popularizado a poesia e em usá-la para produzir peças de teatro, tanto que criou, junto com Geovana Pires, a Companhia da Outra, que usa os versos no palco do teatro. Também atuou em cinema e na televisão, inclusive em novelas de Manoel Carlos, como Mulheres Apaixonadas e Páginas da Vida

Elisa, que também é feminista e ativista racial, reconhece a importância da Semana de Arte Moderna de 1922, tanto que diz ter se inspirado nos modernistas para construir sua carreira, mas lembra que o evento do Municipal pouco retratou a realidade da sociedade brasileira. “O que acho é que sem o negro, sem o olhar negro, tem uma pobreza na amplidão da Semana, (ela) não foi um movimento popular. Mas isso acho de tudo. Acho que a nossa televisão seria mais rica, e é mais rica, quando tem preto no meio. O cinema, a nossa moda. Passei anos procurando um sutiã da cor da minha pele. É uma enxurrada na sua cabeça mandando você alisar o cabelo, usar escova… É tudo uma forçação de barra para uma estética clean.” Confira, a seguir, a entrevista exclusiva que ela deu à Agenda Tarsila:

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um evento que sofreu muitas críticas porque só levou a elite para o palco do Municipal, que não representava toda população brasileira já naquela época. Queria que você me falasse sobre essa polêmica envolta aos modernistas naquela ocasião. 

É uma crítica pertinente, mas não é desgarrada do processo de racismo estrutural ao que o Brasil foi e está sujeito. Mesmo na nossa modernidade, a herança do sistema escravocrata que contamina o seu modo também na sociedade é muito grande. Inclusive há pessoas, até agora, que ainda acreditam que literatura não é para todos, é para poucos. E que Carolina Maria de Jesus (que morava em uma favela) não é, exatamente, uma escritora. Carolina pode falar ‘nois passa fome’, por exemplo (e é estranho), mas em Guimarães Rosa (usar) não é feio. É neologismo, é maneirismo, é a voz do povo. Lembro que um dia uma pessoa branca, intelectual, comentou: ‘vi a merendeira da escola falando uma frase igual a que o Guimarães Rosa disse’. E assim, qual é o espanto se Guimarães bebeu no povo? Então, o espanto revela o racismo na literatura, no mercado editorial, a ponto de ter que haver editoras que publicam livros de autores negros. Por que existe uma editora que publica só livro de autores negros? Porque a maioria das editoras só publica autores brancos. Então, não foi a gente que começou. Para mim, o que acho mais interessante na Semana de 1922, é que eles não tinham consciência total (do que estavam fazendo), a não ser o Mário de Andrade tinha uma pegada mais ousada e mais nacionalista. Foi o Mário que falou: ‘vamos parar de copiar os outros’. Esse é um traço do modernismo. O modernismo português, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, José Regis, a ‘semana’ deles foi antes da nossa, mas eles gritavam por uma estética portuguesa. Também gritavam para parar de imitar e ser o retrato pobre de Paris. Gosto desse despertar, porque, de qualquer maneira, se produziu dentro da nossa história de literatura um pensamento mais ousado, revolucionário, que tirasse as coisas do lugar. Adoro os manifestos da Semana de Arte Moderna,  especialmente gosto da Semana de Portugal, do discurso de Álvaro de Campos e de Mário Sá Carneiro e, dos nossos, amo Procura da Poesia, que é um poema de (Carlos) Drummond e o outro do Manuel Bandeira, que é a cara do que eu acho que a Semana veio dizer: que existe um jeito de falar, que a gente pode inventar. Que esse lirismo calculado, racional, não está com nada se não tocar nas pessoas. Que essa literatura de estante e fechada nos salões acadêmicos não vai fazer nenhuma revolução. Muitas dessas pessoas foram, por suas famílias, deserdados, criticados, especialmente as mulheres, a Pagu, a Tarsila, porque era muita ousadia aquilo. As mulheres trabalhando, pensando e ainda querendo mudar o mundo?

Você acha que eles foram, de fato, artistas de vanguarda?

Foram. Você pensa, uma dominação conservadora, que recebe uma antítese do que ela está pregando. Do próprio embrião do conservadorismo vieram seus filhos revolucionários. E eu acredito que sim. O que acho é que sem o negro, sem o olhar negro, tem uma pobreza na amplidão da Semana, (ela) não foi um movimento popular. Mas isso acho de tudo. Acho que a nossa televisão seria mais rica, e é mais rica, quando tem preto no meio. O cinema, a nossa moda. Passei anos procurando um sutiã da cor da minha pele. É uma enxurrada na sua cabeça mandando você alisar o cabelo, usar escova… É tudo uma forçação de barra para uma estética clean. Por isso que abuso. Estou de propósito com essa tiara (aponta para a cabeça) de penas da tribo Xukuru (que fica na Serra do Ororubá, em Pernambuco), que eu ganhei do Júnior (Xukuru), que é um indígena que eu adoro, uma pessoa muito interessante e que sabe quem somos. Essa sombra (verde, aponta para os olhos), gosto de pintar o meu rosto com coisas coloridas, tal qual os indígenas fazem, acho bonito. Para botar uma sombra dessa em uma personagem que é, por exemplo, uma milionária, dona de uma puta agência de publicidade, se eu for escalada, não vai ornar. Só posso usar uma sombra desta se fizer uma prostituta. No cinema branco tenho de justificar essa sombra. Isso está espalhado por todos os lugares. Por isso que eu acho que não é só a Semana de 1922 que ficou mais pobre, é o nosso estudo. Estudamos a Grécia sem estudar o Egito, mesmo vendo dentro da mitologia grega mitos do Egito, como Nefertiti. Puxada do Egito que é preto, mas que ninguém tem no imaginário que é preto, que é o berço da civilização. O que você sabe sobre jornalismo, o que eu sei sobre jornalismo – eu fiz essa faculdade – o que você sabe sobre literatura e filosofia universal tem déficit, não tem o olhar dos jornalistas negros – claro que há excessões, digo no geral -, não há o olhar do filósofo negro. Tem um buraco no nosso saber eurocentrado, falso sobre o mundo. O mundo não é a Europa, não se resume a ela. 

E você também falou das mulheres, que foi a Tarsila, a Pagu, a própria Anita Malfatti, que foi quem deu o ensejo para formação da Semana de 1922. Mas elas são, em relação aos homens, pouco lembradas no contexto do evento. Até aquela foto histórica da Semana só tem homens. Você acha que ao longo destes 100 anos melhorou o espaço da mulher nas artes, principalmente aqui no Brasil?

É irreversível (a melhora). Vejo lugares onde tem mais mulheres do que homens trabalhando. Já não podemos ser chamadas de minoria há muito tempo. A gente é minoria salarial, minoria no respeito, valemos ainda menos mesmo sendo mais competentes, às vezes tecnicamente. Acho que essa história, por exemplo, de uma empresária como a Magazine Luiza (Luiza Trajano), que está fazendo isso (entre diversas ações, reuniu empresárias em movimento apartidário para apoiar as mulheres na política), está na frente de todo mundo, acho extremamente inteligente. A mulher tem coragem de fazer isso. Ainda ousou, porque do ponto de vista do marketing, ativismo social é chiquérrimo. Eleva a marca. E o mundo tem uma quantidade imensa de pessoas que querem o bem das outras pessoas, que não quer violência, não quer morrer e não quer matar. O problema é que a paz e quem luta por ela faz menos barulho, não sangra. Parece que não é forte. Mas é. É inteligente ter selo verde, da sustentabilidade, selo étnico, que é do respeito aos negros. Acredito que a gente está caminhando muito, já está dando para ver uma nova gestão feminina em algumas coisas. Porque a primeira leva de mulheres que entrou no mercado foi de terninho, ‘fazendo o homem’. E mesmo assim, as críticas que se fez à Dilma (Rousseff), em um homem é elogio. ‘É dura, não dá mole, chega 7h da manhã para trabalhar, é exigente’. Mas ela não pode. Fiquei impressionada quando soube que ela chegava para trabalhar 7h da manhã. Porque uma mulher sabe o trabalho que uma casa dá, agora uma casa do tamanho do Brasil realmente você tem de acordar cedo (risos). Vejo que a gente avançou muito. Sou filha de um feminismo que quis usar calça comprida. A primeira luta da minha mãe foi usar calça comprida diante do meu pai. Conseguiu evoluir meu pai. Depois, entrar no mercado de trabalho, estudar. As mulheres tiveram de adquirir esse direito. Até 1800 a gente não podia estudar, é muito pouco tempo. A gente está indo bem. O que eu acho que não diminuiu a contento foi o machismo tóxico. A prova disso foi que o feminicídio aumentou. A gente não educou os homens para nos respeitarem, nos amarem neste lugar. O homem ficou sem aqueles poderes antigos sob a mulher. E a gente que educou eles, entende? A mulher moderna mandou a menina de 14 anos esquentar a comida do irmão de 16, enquanto ela estava trabalhando na editoria de uma revista feminista (risos). A gente vai aprendendo muito com o tempo. 

Monteiro Lobato, que é um dos contemporâneos dos modernistas, teve sua obra revista há pouco tempo até pela forma que descrevia os negros nos seus livros infantis. Queria que você me falasse da importância deste tipo de discussão na sociedade, principalmente com as crianças?

Li ontem a Geni Guimarães, tenho lido, fiz um trabalho sobre ela, totalmente desconhecida para mim. É uma escritora, nascida em 1947, professora, filha de um pobre preto, lavrador, o sonho dele era ter uma filha conhecida. E conseguiram. E aí ela conta o jeito que ela era tratada na escola. Vai dar aula e a menina não quer entrar na aula porque ‘professora preta não é bom’. A diretora perguntou o que estava acontecendo, ela contou e a diretora: ‘vou levar ela para ter uma professora de primeira, então’. Geni falou: não, me dê um dia. Aí pede para a menina tomar conta da bolsa dela, colocou a menina neste lugar de importância e acabou a conquistando. Quero dizer com isso que o racismo acontece nas escolas, da instituição com o professor negro. A criança negra na sala de aula é rejeitada. Em via de regra não é acolhida pelo professor e ela vê. ‘Por que a professora beija o pescocinho da Isabel, que é loirinha, abraça ela, diz que é linda, e a mim, que tenho a mesma idade dela, só que sou pretinha, por que não faz isso comigo?’ Isso é relato das minhas alunas que ficaram grandes e me contam as histórias de suas escolas, os traumas, os desacolhimentos, gente que perdeu a fala. Teve uma menina, que hoje é uma grande escritora, a Eliana Cruz, ela era bailarina, o pai era professor de universidade, uma família negra, muito organizada do ponto de vista intelectual, estrutural, e ela leva um susto na escola quando a professora fala: ‘você não pode fazer balé com esse cabelo, essa boca horrível…’ A menina perdeu a fala. Contra isso a gente não tem uma proteção constitucional. Para tipificar um caso de racismo é muito difícil. Sempre pode escapar. ‘Entendeu mal, não era bem isso’. Tem uma outra coisa do ponto de vista simbólico e aí que entra a literatura. Se você tem ‘a nega beiçuda’ no texto de Monteiro Lobato, do ponto de vista simbólico você está reforçando o racismo e colaborando com ele. Minha parceira de trabalho, Geovana Pires, leu com o filho Reinações de Narizinho e ela mexeu, fez uma adaptação nessas partes, porque ele (Monteiro) é muito inteligente. É pai da minha literatura. Ele que me deu a ideia de o ‘país da gramática’, o ‘país das palavras’ , tudo ideia do imaginário de Monteiro Lobato. Essa minha comadre falou assim: ‘Elisa, acho que a família dele deveria fazer – e fica a dica – uma revisão histórica do ponto de vista da luz do novo tempo. A obra dele tem de sair para que isso não impeça da obra dele avançar. Eu sou negra, ativista, mas até três anos atrás falava a palavra barraco. ‘Ah, fulano fez um barraco’. Agora não falo mais. Um dia falei, por que? Então a burguesia não faz baixaria? Faz baixaria de alta escrotidão. Então, se tiver de rever, eu que sou ativista, por que não vai ter de um racista estrutural rever? Valeria a pena mexer nisso porque junto com Monteiro tem uma literatura nova, tem a retinta, ele vem de um tempo anterior, mas chegou em um tempo onde parte da literatura está revendo isso. Tem criança que já está estudando nos livros princesinha negra, caminha para estudar princesinha trans. Então é bom correr quem quer durar no tempo. 

E você tem uma vasta carreira literária. Bebeu da fonte modernista para criar seus textos?

Muito. Os modernistas são pais da minha literatura. Me autorizaram. Vi o que poderia ser a literatura. ‘Olha, esse meu pensar, o jeito como arranjo as palavras para traduzir meu espanto diante da vida, é literatura’. Isso rola, pode. Drummond foi muito bom para isso. Embora tenha ritmo, e muito rigor até, ele é prosa poética. Tem poemas imensos, conta histórias, nem sempre faz uma coisa de rimas. Ele autorizou esse cronista dentro do poeta. A simplicidade do Mário Quintana, as ousadias do Bandeira, ele faz sua poesia de modo muito particular. Ficou ocupado só pela poesia achando que não ia casar, que ia morrer cedo, ficou ocupado disso. É muito interessante a coragem que ele prestou a este trabalho. Aí vem a própria Cecília (Meireles). Muito invisibilizada até pelas feministas. Do ponto de vista oficial parece que Cecília era uma boba e de boba ela não tinha nada. Era ousada lá no lugar dela. Foi ela quem falou: ‘tenho fases como a lua. Tem dias de ser minha e outros dias de eu ser tua’. Isso é uma revolução para uma mulher desta época! Não é todo dia que você pode me ter não. Tem dias que sou só minha. E isso é uma desobediência para o machismo daquela época. Só que ela falava liricamente e eu bebi muito na Cecília Meirelles. Tanto que chamo muito de canção meus poemas, por causa dela. 

E para você qual foi a melhor lição que os modernistas deixaram para os artistas brasileiros?

A partir do modernismo se pensou o Brasil. O funk de hoje, o rap, tudo bebe do que o modernismo abriu na cabeça de muita gente. Caetano Veloso, Gilberto Gil, só fizeram o que fizeram na nossa música por causa da porta que os modernistas abriram. Tem um poema do Manuel Bandeira que eu queria ler, posso? Poética: ‘Estou farto do lirismo comedido, do lirismo bem comportado. Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas. Todas as palavras, sobretudo os barbarismos universais. Todas as construções, sobretudo as sintaxes de excepção. Todos os ritmos, sobretudo os inumeráveis. Estou farto do lirismo namorador, político, raquítico, sifilítico. De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo. De resto não é lirismo. Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc. Quero antes o lirismo dos loucos. O lirismo dos bêbados. O lirismo difícil e pungente dos bêbedos. O lirismo dos clowns de Shakespeare. Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.’ Esse foi o manifesto dele. E é isso, olha que bagunça que fez, com aquelas caras empertilhadas. Ninguém esperava isso dele! Um poeta rico, que foi para Petrópolis para cuidar da asma, a família dele tinha grana, ‘os Bandeiras’, no entanto ele vai e diz: ‘eu hein’. E no entanto era isso, escolher aquela palavra mais difícil para colocar na poesia. E só duas pessoas numa plateia de cem entenderem. Tudo que acho que é de pop no Brasil que chega para mim na história recente e chega ao povo vem das ousadias da Semana de Arte Moderna e que, por incrível que pareça, ao fazer isso, ela foi mais brasileira e popular, sem saber que estava sendo. Esse lirismo que é libertação é o dos pretos, dos indígenas, dos tambores, é tudo toque de libertação. 

E você acha que hoje a arte é mais plural e democrática do que aquela época?

Sim, porque antigamente quem soube da Semana de 1922? Os  envolvidos, o pessoal da nata. Os jornais deram, mas isso, como o povo ia saber? Com o advento da internet a gente conheceu Liniker, Emicida, é uma lista, MC Poze do Rodo, Anitta, muita gente veio por causa dessa democracia que a internet dá. Porque quando estudei jornalismo me incomodava muito que a informação viesse da Rede Globo, do sudeste para o Brasil. Me incomodava ver atores nordestinos chegando aqui no sudeste tentando não falar nordestino. Então o Brasil tem de escutar essa ordem da informação, é uma mão que não é dupla, o nordeste não pode soprar nada para o Brasil? Só a ideia do sudeste é que é ‘ser Brasil’? Então a democracia digital corta isso, bota todo mundo, de uma certa forma, com a possibilidade de colocar sua história na roda. Neste sentido acho tudo muito democrático. Por exemplo, agora está acontecendo uma coisa muito interessante: os jovens portugueses estão ouvindo muito podcast brasileiro. E são divertidos, eles entendem a língua, são ousados, falam de sexo, de maconha, Brasil. E aí o Brasil jovem, irreverente. Eles estão consumindo e falando ‘brasileiro’. Os portugueses desesperados: ‘eles estão falando brasileiro’. E não há como deter. É o retorno das caravelas. Vejo que as mulheres estão publicando, mulheres negras. Por muito tempo quem falava por nós eram homens, e brancos. E os grandes romances, Madame Bovary (de Gustave Flaubert), são romances do ponto de vista masculino. ‘A amante que errou porque se apaixonou por outro…’ Ela é julgada na época. E nós tínhamos que ler o romance que os homens escreveram sobre nós. Depois começamos a escrever, mas primeiro as mulheres brancas, inclusive pelas mulheres negras. Com grande desconhecimento e lugar de fala. Porque é uma pessoa que escreve achando que a cor da pele é a cor do sutiã dela. Eu que me vire para tingir o meu. Estou dando um exemplo. Só para dizer que agora, cada vez mais, a gente está produzindo nossa história. Tem muita mulher negra e branca, dirigindo, fazendo direção de fotografia, roteirizando. Organiza-se um mundo novo. 

(Miriam Gimenes/Agenda Tarsila)

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