Galeria Arte132 realiza mostra sobre universo das jóias dos irmãos Burle Marx

EventoPresencial

SegmentosArtes Visuais

Data 04/06/2022 a 30/07/2022

Horário 14:00 às 19:00

Funcionamento Horários de visitação: de segunda a sexta, das 14h às 19h. Sábados, das 11h às 17h

Local Galeria Arte132- Av. Juriti, 132 - Moema - São Paulo - SP

Classificação Indicativa Livre

Valores Gratuito

Site https://arte132.com.br

Acessibilidade

  • Sem informações

Programação sujeita a alteração (confirmar data e horário no site do organizador)

O universo das joias dos irmãos Burle MarxRoberto (1904 – 1994) e Haroldo (1911 – 1991), é exibido pela Arte132 em Jewels by Brazil´s Burle Marx brothers. Esta é a primeira vez que aproximadamente 100 desenhos de joalheria de ambos são mostrados, conjuntamente, em uma galeria. A exposição, em cartaz até o dia 30 de julho, tem texto crítico do museólogo Antonio Carlos Suster Abdalla e apresenta verdadeiras relíquias modernistas que o Brasil exportava para o mundo. No dia 23 de julho, às 11h30, Carlos Abdalla realiza visita guiada aberta ao público. 

Apesar de não terem sido sócios, nem compartilhado ateliê, a mostra os aproxima como duas personalidades independentes, de maneira produtiva para a história da arte. Haroldo Burle Marx foi o joalheiro preferido de colecionadores, estrelas de cinema, alta sociedade, dignitários e famílias reais. Roberto Burle Marx era considerado um multiartista: pintor, artista plástico, criador de painéis de azulejos, arranjos florais e muito mais. 

Desta união, criou-se a primeira e verdadeira joia modernista realmente nacional: uma junção das pedras esculpidas por Haroldo Burle Marx, montada sobre uma estrutura de joias seguindo o paisagismo mágico de Roberto Burle Marx. A rica e diversa obra de raiz brasileira presentes nas páginas da historiografia é o denominador comum dos dois. 

Ao reunir e confrontar os croquis, instiga-se uma interpretação afetiva e ousada. Segundo Abdalla, a exposição tem cunho apaziguador entre eles, que ficaram afastados por mais de quatro décadas por questões de incompatibilidade e assuntos privados. 

“Cabe ao espectador, ou ao amante de design de joias, fruir e fazer a leitura das especificidades de cada artista presentes na mostra. Se deliciar com os traços dos desenhos como desenhos (nada mais), ou as possibilidades das tridimensionalidades das peças, ou ainda notar aproximações e diferenças óbvias entre ambos. Roberto, assina Roberto, e Haroldo assina Haroldo.  Burle Marx faz jus a ambos.”, declara Antonio Carlos Suster Abdalla. 

Sobre os artistas, por Antonio Carlos Suster Abdalla

Haroldo Burle Marx é menos conhecido frente ao irmão, que se tornou uma das referências da modernidade brasileira. Mais velho que Roberto Burle Marx, foi ourives/designer/estudioso de joias até o fim da vida. Nasceu em São Paulo e não custa reavivar a memória. Ele tinha linhagem hereditária com o filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) – seu avô era primo do grande teórico. Em 1945, começa a realizar desenhos de joias. Em 1954, toma a decisão de se dedicar em tempo integral à pesquisa de pedras preciosas. Tornou-se hábil no manejo de metais e, por fim, produziu bastante dentro de sua linguagem poética brasileira e universalista. Haroldo, vale frisar, pesquisou e aplicou nas peças, entre outras influências, a artesania inca e egípcia.

O esmero técnico, a pesquisa de materiais e o conhecimento humanista resumem em certa medida o perfil do artista. Haroldo estudou no tradicional Colégio Resende, no Rio de Janeiro, na Pitman´s College, em Londres, e na Hochhandelschule, de Berlim, além de formação em direito não exercido, também no Rio. Tornou-se dedicado especialista em gemologia – ciência que identifica a natureza das gemas das pedras preciosas – e lapidação, após formação por quatro anos pelo instituto Idar-Oberstein, na Alemanha. Dominava igualmente seis línguas.

Em 1981, o artista e a norte-americana Alta Leath, esposa do deputado democrata texano Marvin Leath, se conheceram no Rio de Janeiro e iniciaram parceria para que suas obras fossem expostas e comercializadas nos Estados Unidos. Os dois se tornaram amigos até o fim da vida. Haroldo já circulava, igualmente, entre os amantes de joias únicas na Europa. A Coleção Altomar, criada por Alta em 1982, promoveu o artista e o incentivou a desenvolver joias inclusive com ouro 18 quilates.

As atrizes Natalie Wood (1938-1981) e Cicely Tyson (1924-2021), o cantor lírico Placido Domingo (1941) e a rainha Margarida (1940), da Dinamarca, são algumas das personalidades que adquiriram joias com a assinatura de Haroldo. O Museu de Ciências Naturais de Houston, nos Estados Unidos, manteve uma sessão dedicada ao artista por dois anos.  O The New York Times, a Vogue e a Connoisseur Magazine deram espaço editorial à qualidade e genialidade das pulseiras, colares, brincos, braceletes e anéis produzidos por ele.

Como convivi, por meio de pesquisa e contato direto por várias vezes, com o acervo de Roberto, incluindo a curadoria de exposições antológicas do artista, uma delas realizada no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, por ocasião dos 100 anos de sua morte, em 2009, reforço que foi homem de vanguarda. Multiartista – conhecido pelas pinturas, desenhos e tapeçarias – é nome internacional incontornável por ter se dedicado à preservação da natureza e dado relevância ao paisagismo brasileiro.

Paulistano, nasceu num dos símbolos da cidade, a avenida Paulista esquina com a rua Ministro Rocha Azevedo. No cruzamento, seus pais construíram uma casa em estilo art nouveau batizada de Vila Fortunata, até hoje um pequeno pedaço de área verde (local que faz homenagem a um político e não ao artista, como seria plenamente merecido).  Viveu quase toda vida, entretanto, no Rio de Janeiro, onde estudou com Cândido Portinari (1903-1962). Sempre pretendeu ser conhecido como pintor, mas como um representante do idealizado homem do Renascimento, seguiu por caminhos vários e ficou conhecido como o mais representativo paisagista brasileiro.

Sem excessos nacionalistas e limitadores, Roberto tinha fascínio pela floração tropical. O primeiro projeto paisagístico, em 1932, foi para a residência Schwartz, em Copacabana, Rio. Em Recife, atuou como diretor de parques e jardins, o que propiciou expandir ainda mais o conhecimento da paisagem brasileira. Anos depois, saíram de sua prancheta projetos do Aterro do Flamengo, no Rio, Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e o Eixo Monumental, de Brasília, entre outros.

Como pintor, foi do figurativo ao abstrato quando, em 1950, adere ao Abstracionismo Abstrato. Simultaneamente, produziu grandes tapeçarias como uma das mais representativas que pertencente ao Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, executada pelo paulistano Atelier Douchez-Nicola.

Roberto trabalhou ainda com painéis cerâmicos, gravuras e esculturas, além dos projetos de joias. Seus últimos anos de vida se passaram no exuberante sítio de Guaratiba, no Rio, com sede projetada por Lúcio Costa. A lista de exposições que participou é enorme, passando por sete edições da Bienal de São Paulo e três de Veneza, sem contar individuais e coletivas na Europa, Ásia, Estados Unidos e América Latina.

Sobre Antonio Carlos Suster Abdalla

Antonio Carlos Suster Abdalla é museólogo, curador independente e pesquisador em Artes Visuais. Tem mais de 140 trabalhos concluídos em museus, galerias e centros culturais, entre eles: Caixa Cultural CEF-Rio de Janeiro/RJ e Salvador/BA; Casa da Cultura-Paraty/RJ; Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)-Rio de Janeiro/RJ e Brasília/DF; Escritório de Arte Augusta 664 – São Paulo; Espaço Cultural da BM&F-Bovespa – São Paulo; Espaço Cultural Nossa Caixa-São Paulo; Espaço Cultural Porto Seguro-São Paulo; Estúdio Jacarandá-São Paulo; Galeria Berenice Arvani-São Paulo; Galeria Mapa-São Paulo; Galeria Zilda Fraletti-Curitiba/PR; James Lisboa Escritório de Arte-São Paulo; JB Goldenberg Escritório de Arte-São Paulo; Lordello & Gobbi Escritório de Arte-São Paulo; Museu BANESPA-São Paulo; Museu Brasileiro da Escultura (MUBE)-São Paulo; Museu de Arte Contemporânea (MACC)-Campinas/SP; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAMSP) – São Paulo; Museu de Zoologia-USP – São Paulo; Museu Guido Viaro-Curitiba/PR; Museu Nossa Senhora Aparecida/Santuário Nacional-Aparecida do Norte/SP; Museu Oscar Niemeyer (MON)-Curitiba/PR; Passado Composto Século XX-São Paulo; Pinacoteca Benedicto Calixto-Santos/SP; Pinacoteca do Estado de São Paulo-São Paulo; Santander Cultural-São Paulo; SESC Belenzinho-São Paulo e Araraquara/SP e Universidade do Ceará (UNIFOR)-Fortaleza/CE.

Sobre a Arte132

A Arte132 expõe, dá suporte e mantém em acervo artistas brasileiros reconhecidos, principalmente as produções autorais menos conhecidas, artistas que desenvolveram um entendimento do mundo e do homem em algum momento. As mostras sempre têm o compromisso de apresentar arte relevante de qualidade ao maior número de pessoas possível, colecionadores ou não. A casa (concebida pelo arquiteto Fernando Malheiros de Miranda, em 1972), para além de uma galeria de arte, é um lugar de encontro e descobertas.

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