Museu do Ingá recebe duas exposições sobre arte moderna

EventoPresencial

SegmentosArtes Visuais

Data 07/07/2022 a 24/09/2022

Horário 12:00 às 17:00

Funcionamento Quarta, sábado e feriados, das 12h às 17h

Local Museu do Ingá- Rua Presidente Pedreira, 78 - Ingá - Niterói - RJ

Classificação Indicativa Livre

Valores Gratuito

Acessibilidade

  • Sem informações

Programação sujeita a alteração (confirmar data e horário no site do organizador)

Quando pensamos em arte moderna, incluindo a Semana de 1922, é a conjuntura artística paulista que domina o pensamento e o discurso. No entanto, a cidade do Rio de Janeiro tem um desenvolvimento moderno anterior a 1922 e uma especificidade artística que necessita ser reconhecida. A exposição A Afirmação Modernista – a paisagem e o popular na coleção Banerj, em exibição a partir desta quinta, dia 7 de julho, no Museu do Ingá, tem esta função: afirmar um modernismo específico e característico da cena carioca. A curadoria é de Marcus de Lontra Costa e Viviane Matesco. A entrada é franca.

Diferente da aristocracia e do nacionalismo ligados à conjuntura paulista, o modernismo carioca acentua o caráter popular e a beleza natural da cidade, expressa nos grandes painéis e em outras inúmeras obras que retratam o Rio de Janeiro e fazem parte da coleção Banerj. Do Rio boêmio e folclórico, de Di Cavalcanti, ao Rio oblíquo, de Goeldi, a cidade domina a coleção. A cultura carioca pode ser vista nos trabalhos de Djanira, Caribé, Marcier, Cícero Dias, entre outros artistas. As festas de rua, o samba, o candomblé bem como o Corcovado e o Pão de Açúcar tornam-se ícones do imaginário da cidade, mas também do povo brasileiro. 

A Coleção Banerj começou a ser formada no início dos anos 1960, vinculada ao contexto de afirmação da Cidade-Estado da Guanabara. As diferentes maneiras de conceber a paisagem revelam-se como marca da coleção: a luminosidade das paisagens de Eliseu Visconti, a exuberância das cenas urbanas de Di Cavalcanti, a paisagem imaginária de Cícero Dias, entre outros. 

Além disso, a exposição tem também um importante papel de potencializar o acervo proveniente do antigo banco Banerj, constituído de trabalhos de artistas de grande relevância, e hoje um acervo público do Estado do Rio de Janeiro. 

Fazer um “acervo falar” significa torná-lo disponível e acessível para as diversas camadas da população. Obras de arte esparsas e guardadas em uma reserva técnica são como pérolas incrustadas; para aparecerem precisam de algum pensamento que as relacione em uma exposição, folhetos explicativos e serviços de monitoria que estabeleçam uma intermediação com o público. 

Divdida em oito módulos expositivos, um deles é especialmente dedicado ao artista Emiliano Di Cavalcanti, que participou da Semana de Arte de Moderna de São Paulo. Segundo Luiz Sérgio de Oliveira, Di Cavalcanti era “comprometido com sua gente, retratada em situações prosaicas do cotidiano, em seus afazeres e lazeres os mais triviais, a revelar o gosto e o engajamento do pintor com o real, com as vidas vividas, a sua e daqueles que ele podia esquadrinhar com seu olhar de artista”. 

No caso da exposição Como é Bom o Carnaval: a arte moderna de Helios Seelinger, também em exibição a partir de quinta-feira, dia 7 de julho, no Museu do Ingá, em Niterói, ela instiga os visitantes a descobrirem outros modernismos para além daquele que se consagrou na cultura nacional. Para isso, apresenta um conjunto de obras do carioca Helios Seelinger (1878-1965), com destaque para o acervo da FUNARJ. A entrada é franca. A última individual de Helios foi há 47 anos no Museu Nacional de Belas Artes.

São desenhos e pinturas ligadas à brasilidade e às tradições populares, temas caros ao modernismo hegemônico, porém tratadas por ele em uma chave diversa e original para a época. Embora Helios não tenha sido considerado em seu tempo um pintor modernista, as obras expostas no Museu do Ingá permitem ao público questionar o contrário, ampliando os limites do cânone moderno.

Destaque ainda para o projeto Jovem Curador, uma realização da FUNARJ. O objetivo é estimular e abrir espaços para novos olhares curatoriais. A estreia da iniciativa acontece com o historiador da arte João Brancato. Doutorando em História na Unicamp, sob orientação do Prof. Jorge Coli e bolsa de pesquisa FAPESP, João é mestre e bacharel em História pela UFJF. Ele também é especialista em arte brasileira dos séculos XIX e XX e em sua tese estuda a vida e obra de Helios Seelinger. “Como é bom o carnaval: a arte moderna de Helios Seelinger”, fruto de suas pesquisas, é a primeira exposição em que atua como curador.

“Reivindicar a modernidade da obra de Helios Seelinger é reconhecer que a narrativa modernista consagrada é apenas uma das possíveis histórias sobre a arte moderna no Brasil.” – João Brancato.

Helios Seelinger (1878-1965) foi um pintor e caricaturista carioca, com formação artística desenvolvida entre o Rio de Janeiro, Munique e Paris. Antes mesmo da renomada Semana de 1922, consagrou-se no meio artístico brasileiro como um pintor moderno por suas obras de inspiração decorativa e simbolista. Sua produção encontra-se espalhada por museus e coleções privadas de todo o Brasil. No Rio de Janeiro, é possível encontrar pinturas de sua autoria no Museu Nacional de Belas Artes, no Museu Histórico Nacional, no Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro, no Museu do Ingá e em outros.

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